Este é meu blog. Nele compartilho minhas experiências educacionais com todos. Seja bem vindo.
RSS

terça-feira, 10 de agosto de 2010

SACI PERERÊ

AGOSTO - MES DO FOLCLORE, E NÃO HÁ COMO FUGIR DA NOSSA HISTORIA, DO NOSSO FOLCLORE. TRABALHAR COM LENDAS, CONTOS, PARLENDAS, ADIVINHAS, CANTIGAS DE RODAS,...É RESGATAR NOSSO PASSADO E FAZER COM QUE NOSSOS ALUNOS VIAGEM NO TEMPO E SE DELICIEM COM MOMENTOS INESQUECÍVEIS.

SACI PERERE

Era uma vez uma velha que tinha por hábito, antes de deitar, preparar três cachimbos. Um, ela pitava enquanto terminava os afazeres finais da arrumação da cozinha. O outro logo a seguir. E deixava o terceiro, costumeiramente em cima da taipa do fogão para fumar depois de lavar os pés.
Acontece que, antes de fazer os preparativos finais para deitar-se, ia para outros compartimentos da casa.
Começou a observar que todas as vezes que ia pitar o último cachimbo, ele estava pela metade. Um dia resolveu ficar de espreita. Lá pelas tantas, o Saci senta-se na beirada do fogão e passa a cachimbar gostosamente o pito de barro: - “Ele me paga” – monologou a velha. Noutro dia, encheu de pólvora o cachimbo e colocou uns fiapinhos de fumo em cima.
A noite, chegou o Saci. Acendeu o cachimbo com uma brasa e dali á pouco foi aquele estouro. “O saci ficou aturdido e quando eu cheguei para pegá-lo” – contou a velha _ “errou a porta, mas a janela estava destramelada e ele fugiu...
Nunca mais apareceu para fumar o meu cachimbo... “o Saci era também um dos mitos da agonia infantil. Quando as crianças começavam a chorar, as mães diziam: “Pare com esse choro ou eu vou chamar o Saci-Pererê”.

TEXTO 2
Quem já viu o Saci? O moleque é negrinho, usa gorro vermelho sobre a carapinha e não larga seu cachimbinho. E tem uma perna só. Nem por isso é vagaroso.
Ao contrário, pula daqui, pula dali, ei-lo no campo, na mata, nas fazendas. Parece estar em vários lugares ao mesmo tempo. E faz “artes”.
- Quem trançou a cauda do meu cavalo? -Pergunta o peão intrigado.
- Quem tirou os ovos do minha da galinha preta? – pergunta zangada Dona Mariocota.
- Quem apagou a fogueirinha que fiz para esq2uentar meu almoço? - reclama o lenhador aborrecido.
Não é preciso pensar muito: foi o Saci! Lá vai o negrinho pulando, escondendo-se atrás dos arbustos que dele gostam, pois ele também, gosta deles. O peralta é amigo das árvores. Nunca se soube de maldade mesmo feita pelo Saci, Só travessuras.
E ninguém pode reclamar de o ter visto maltratando as plantas ou derrubando um só galho na mata.
– psiu! Escuta alguém que vai a cavalo pelo mato.
– Quem é você? – pergunta baixinho e grita:
- Quem me chama?
- Sou eu!...me dê um fumo pro pito – Saci-Pererê assusta o viajante, que lá se vai cavalgando desaboladamente.
- Quero fumo pro pito... – insiste o danadinho mais adiante, deixando ver apenas a ponta do gorrinho e a fumaça do cachimbo quase apagado.
- Que remédio? Toma Saci! – grita o viajante, jogando-lhe fumo. Rindo às gargalhadas, o Saci pega o fumo e some no mato, que o esconde. Vai pitando sossegadamente, sentado num tronco qualquer. Mas pobre Saci!
Amigo das florestas, vai ficando cada dia menos brincalhão. É que os homens derrubaram as árvores, queimam os campos, estragam a mataria... e os meninos, então? Às vezes soltam balões que incendeiam cafezais, transformam a cana em carvão e matam brotinhos novos das mangueiras, dos mamoeiros, das plantas todas que existem! Saci-Pererê tira o seu gorrinho e coça a carapinha, desacorçoado!
- Será que esta gente não sabe que assim acaba com as matas, as plantações, os roçados? - Mas se chove ou brilha o sol, vendo de novo a mata cheirosa e verde, o Saci esquece mágoas. Pulando numa perna só, de gorrinho na cabeça e pito na mão, lá vai ele! – Quem foi que me ensinou errado o caminho para fazenda? - pergunta alguém no mato, olhando em torno, perdido. Quem seria? Pudera! Andaram negando fumo ao Saci...

1 comentários:

Maria de Lourdes disse...

Oi, Leninha.

Parabéns pelo blog! Muito interessante.
Quero aproveitar a oportunidade para perguntar-lhe qual o autor do texto 2, sobre o saci-perêrê. Gosto muito desse texto e trabalho com ele há vários anos, mas não sei de quem é. Sempre tento descobrir essa autoria, sem êxito. Agora, encontro o texto, mas não o autor.
Poderi ajudar-me?
Obrigada e, maids uma vez, parabéns pelo trabalho!